Etanol de milho e os desafios do setor sucroenergético no Brasil
- Agrológica Projetos e Consultoria

- 20 de mar.
- 4 min de leitura
Por: Ana Luiza Cardoso

O etanol de milho tem ganhado destaque no Brasil como uma alternativa estratégica dentro da matriz de biocombustíveis. Nos últimos anos, o crescimento da produção desse combustível renovável tem ampliado as possibilidades de aproveitamento do milho e fortalecido a integração entre agricultura e energia. Ao mesmo tempo, o setor sucroenergético enfrenta desafios financeiros e estruturais. Um exemplo recente é o da Raízen, uma das maiores empresas do setor no país, que iniciou a renegociação de uma dívida de cerca de R$ 65,1 bilhões com credores. Entre diversos fatores que pressionam o setor estão os altos investimentos industriais, custos logísticos e a necessidade de adaptação a novas cadeias produtivas, como a do etanol de milho. Esse cenário evidencia a importância de compreender como esse modelo produtivo funciona e quais são suas oportunidades e desafios dentro do agronegócio brasileiro.
O que é o etanol de milho?
O etanol de milho é um biocombustível produzido a partir da fermentação do amido presente no grão. O processo envolve etapas como moagem, conversão do amido em açúcares e fermentação, que resulta na produção de etanol combustível. Além do combustível, o processo também gera subprodutos importantes, como o DDG (grãos secos de destilaria), amplamente utilizado na alimentação animal. Embora o Brasil seja tradicionalmente conhecido pela produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, o etanol de milho vem crescendo principalmente nas regiões Centro-Oeste, onde há grande disponibilidade do grão.
Expansão da produção no Brasil
Nos últimos anos, o Brasil tem registrado crescimento significativo na produção de etanol de milho, impulsionado pela alta produtividade agrícola e pela expansão da chamada safrinha de milho. Estados como Mato Grosso e Goiás se destacam nesse cenário, concentrando diversas usinas dedicadas ou integradas à produção de biocombustível. Esse modelo permite aproveitar excedentes da produção agrícola e gerar valor adicional ao milho, fortalecendo a economia regional e ampliando as opções energéticas do país. Segundo estimativas do setor, a produção de etanol de milho no Brasil passou de menos de 1 bilhão de litros em 2017 para cerca de 7 bilhões de litros em 2024, demonstrando o rápido crescimento dessa cadeia produtiva.
Benefícios do etanol de milho
A expansão desse biocombustível traz diversas vantagens para o setor agroenergético:
• Aproveitamento da produção agrícola – permite agregar valor ao milho produzido no país.
• Diversificação da matriz energética – reduz a dependência exclusiva da cana-de-açúcar na produção de etanol.
• Integração com outras cadeias produtivas – subprodutos podem ser utilizados na pecuária e na indústria de ração.
• Produção contínua – o milho pode ser armazenado e processado ao longo do ano, permitindo maior flexibilidade produtiva.
Nesse contexto, o avanço do etanol de milho também representa uma mudança importante dentro do próprio setor sucroenergético brasileiro, historicamente baseado na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar. Enquanto o etanol de cana é produzido diretamente a partir dos açúcares da planta e depende do período de safra, o etanol de milho utiliza o amido presente no grão e pode ser produzido ao longo de todo o ano, já que o milho pode ser armazenado. Essa diferença permite maior flexibilidade industrial e abre espaço para novos modelos de usinas, especialmente em regiões com grande produção de grãos. Além disso, cada processo gera subprodutos distintos. No caso do milho, destaca-se o DDG, utilizado na alimentação animal, enquanto na produção de etanol de cana o bagaço pode ser aproveitado para geração de energia dentro das próprias usinas.
O mercado global de etanol
O etanol também possui grande relevância no cenário energético mundial. Atualmente, a produção global ultrapassa 120 bilhões de litros por ano, sendo liderada principalmente pelos Estados Unidos e pelo Brasil. Os Estados Unidos ocupam a primeira posição, com mais da metade da produção mundial baseada principalmente no milho. O Brasil aparece em segundo lugar, com produção concentrada no etanol de cana-de-açúcar. Outros países também vêm ampliando investimentos no setor, ainda que em menor escala. Regiões da Europa utilizam matérias-primas como beterraba e cereais, enquanto países como China e Índia têm aumentado sua produção de biocombustíveis como parte de estratégias de segurança energética e redução de emissões. Esse movimento global demonstra o papel crescente dos biocombustíveis na diversificação da matriz energética e na busca por alternativas mais sustentáveis no setor de transportes.
Desafios da cadeia produtiva
Apesar das oportunidades, a produção de etanol de milho também apresenta desafios importantes. Um dos principais está relacionado à logística e à localização das usinas, já que o transporte do grão pode impactar significativamente os custos de produção. Outro ponto relevante é a necessidade de investimentos elevados em infraestrutura e tecnologia industrial, o que pode aumentar a pressão financeira sobre empresas do setor. Além disso, há a competição pelo uso do milho, que também é essencial para a produção de ração animal e para exportação. Os desafios enfrentados por empresas do setor mostram que a expansão de novas rotas de biocombustíveis, como o etanol de milho, exige planejamento técnico e eficiência ao longo de toda a cadeia produtiva. Nesse cenário, análises técnicas do campo, conhecimento sobre as condições do solo e planejamento agrícola adequado podem contribuir para uma produção mais eficiente e sustentável.
A Agrológica atua justamente nesse elo entre conhecimento técnico e aplicação prática no campo, contribuindo para que produtores tenham mais dados e segurança na tomada de decisão.
Conclusão
O avanço do etanol de milho mostra como o agronegócio brasileiro está em constante transformação, buscando novas formas de gerar energia renovável e agregar valor à produção agrícola. Ao mesmo tempo, os desafios enfrentados por grandes empresas do setor, como a Raízen, evidenciam a importância de planejamento, inovação e eficiência ao longo de toda a cadeia produtiva. Com o apoio de conhecimento técnico e tecnologias aplicadas ao campo, produtores e empresas podem otimizar seus sistemas produtivos e enfrentar com mais segurança os desafios logísticos, econômicos e ambientais que acompanham o crescimento do setor agroenergético.
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