Como Identificar o Ponto Correto e Maximizar Resultados na colheita de milho
- Agrológica Projetos e Consultoria

- há 2 horas
- 4 min de leitura
Por: Felipe Moreira Santos

O milho ocupa posição estratégica no agronegócio brasileiro. Presente na alimentação humana, na nutrição animal e como matéria-prima industrial, ele movimenta cadeias produtivas inteiras. Em um cenário de margens cada vez mais apertadas, não basta produzir bem, é preciso colher no momento certo para transformar produtividade em lucro.
O ponto de colheita influencia diretamente peso de grãos, qualidade, custo operacional e capacidade de armazenamento. Um erro de alguns dias pode representar perda de rendimento ou aumento significativo de despesas com secagem e logística. Por isso, entender os critérios técnicos para essa decisão é essencial.
O que realmente define o momento ideal?
Muitos produtores ainda utilizam apenas sinais visuais para decidir a colheita. Embora a observação de campo seja importante, ela não deve ser o único critério. O momento ideal é resultado da combinação entre maturidade fisiológica, teor de umidade e planejamento operacional.
A maturidade fisiológica ocorre quando o grão atinge seu peso máximo em matéria seca. A partir desse ponto, não há mais ganho produtivo. Visualmente, esse estágio é identificado pela formação da chamada camada preta na base do grão, um indicativo de que o fluxo de nutrientes da planta foi encerrado.
Nesse estágio, a umidade costuma estar entre 30% e 35%. Ou seja, o grão já está “formado”, mas ainda não está pronto para armazenamento sem secagem.
A importância do teor de umidade
O teor de umidade é o fator mais determinante na decisão prática de colheita. De forma geral, o milho é colhido com umidade entre 18% e 25%, dependendo da estrutura disponível.
Colher com umidade elevada pode trazer vantagens, como menor risco de perdas por debulha natural e menor quebra de grãos durante a operação. No entanto, exige investimento em secagem artificial, o que aumenta custos com energia e tempo.
Por outro lado, esperar o grão secar excessivamente no campo pode parecer economia, mas envolve riscos importantes: maior exposição a chuvas, proliferação de fungos, incidência de microtoxinas e perdas físicas por queda de plantas ou desprendimento de grãos.
Aqui está um ponto crítico que muitas vezes passa despercebido, deixar para colher “quando der tempo” não é estratégia, é risco. A decisão precisa ser planejada com base em dados.
Indicadores práticos no campo
Além da análise com medidores de umidade, alguns sinais ajudam na avaliação do estágio da lavoura. A palha da espiga tende a apresentar coloração amarelada e aspecto seco. Os grãos tornam-se mais duros e vítreos. A chamada linha do leite, que representa a transição entre a parte sólida e líquida do grão durante o enchimento, desaparece ao se aproximar da maturidade fisiológica.
Esses indicadores são úteis, mas não substituem a medição objetiva da umidade. A percepção visual pode variar conforme híbrido, clima e condições de solo.
Riscos de atrasar a colheita
Um erro comum é acreditar que o milho pode “esperar no campo” sem consequências. Em regiões com clima instável, essa decisão pode comprometer a qualidade do produto.
Entre os principais riscos estão:
Acamamento (queda de plantas), dificultando a operação mecanizada
Ataque de insetos e aves
Aumento da incidência de fungos
Redução do peso específico dos grãos
Além disso, grãos muito secos tendem a quebrar com mais facilidade durante a colheita, reduzindo a qualidade comercial, ou seja, postergar a operação pode transformar uma boa produtividade em prejuízo silencioso.
O papel da regulagem e da operação
Não basta escolher o momento correto; é fundamental colher corretamente. Regulagem inadequada da colhedora, velocidade excessiva e ajustes incorretos do sistema de trilha podem aumentar perdas invisíveis no campo.
A Engenharia Agrícola atua diretamente nessa etapa, avaliando:
Altura de corte
Velocidade de deslocamento
Ajuste do cilindro ou rotor
Controle de perdas na plataforma
Pequenas regulagens podem representar sacas adicionais por hectare ao final da safra.
Planejamento logístico também é parte da decisão
O ponto ideal de colheita não depende apenas da fisiologia da planta, mas também da capacidade operacional da propriedade. É preciso considerar disponibilidade de máquinas, transporte e armazenamento.
Em propriedades maiores, o escalonamento do plantio é uma estratégia eficiente para evitar que toda a área atinja o ponto ideal ao mesmo tempo, reduzindo gargalos na colheita.
A decisão técnica precisa estar integrada ao planejamento produtivo desde o início do ciclo.
Colher é uma decisão técnica, não apenas operacional
Identificar o ponto correto da colheita do milho exige análise, planejamento e conhecimento técnico. A maturidade fisiológica indica o fim do desenvolvimento do grão, mas a definição do momento ideal envolve também umidade, clima, estrutura e eficiência operacional.
Quando essa decisão é tomada com base em dados e não apenas em percepção, o resultado aparece na rentabilidade da safra.
A Engenharia Agrícola tem papel central nesse processo, integrando tecnologia, gestão e operação de campo. A EJ Agrológica atua justamente nesse elo entre conhecimento técnico e aplicação prática, contribuindo para que produtores tomem decisões mais seguras e estratégicas.
No agro, produzir bem é essencial. Mas colher no momento certo é o que garante que todo o esforço da lavoura se converta, de fato, em resultado.





Comentários