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Como Identificar o Ponto Correto e Maximizar Resultados na colheita de milho

Por: Felipe Moreira Santos

Colheita de Milho
Colheita de Milho

O milho ocupa posição estratégica no agronegócio brasileiro. Presente na alimentação humana, na nutrição animal e como matéria-prima industrial, ele movimenta cadeias produtivas inteiras. Em um cenário de margens cada vez mais apertadas, não basta produzir bem, é preciso colher no momento certo para transformar produtividade em lucro.

O ponto de colheita influencia diretamente peso de grãos, qualidade, custo operacional e capacidade de armazenamento. Um erro de alguns dias pode representar perda de rendimento ou aumento significativo de despesas com secagem e logística. Por isso, entender os critérios técnicos para essa decisão é essencial.

O que realmente define o momento ideal?

Muitos produtores ainda utilizam apenas sinais visuais para decidir a colheita. Embora a observação de campo seja importante, ela não deve ser o único critério. O momento ideal é resultado da combinação entre maturidade fisiológica, teor de umidade e planejamento operacional.

A maturidade fisiológica ocorre quando o grão atinge seu peso máximo em matéria seca. A partir desse ponto, não há mais ganho produtivo. Visualmente, esse estágio é identificado pela formação da chamada camada preta na base do grão, um indicativo de que o fluxo de nutrientes da planta foi encerrado.

Nesse estágio, a umidade costuma estar entre 30% e 35%. Ou seja, o grão já está “formado”, mas ainda não está pronto para armazenamento sem secagem.

A importância do teor de umidade

O teor de umidade é o fator mais determinante na decisão prática de colheita. De forma geral, o milho é colhido com umidade entre 18% e 25%, dependendo da estrutura disponível.

Colher com umidade elevada pode trazer vantagens, como menor risco de perdas por debulha natural e menor quebra de grãos durante a operação. No entanto, exige investimento em secagem artificial, o que aumenta custos com energia e tempo.

Por outro lado, esperar o grão secar excessivamente no campo pode parecer economia, mas envolve riscos importantes: maior exposição a chuvas, proliferação de fungos, incidência de microtoxinas e perdas físicas por queda de plantas ou desprendimento de grãos.

Aqui está um ponto crítico que muitas vezes passa despercebido, deixar para colher “quando der tempo” não é estratégia, é risco. A decisão precisa ser planejada com base em dados.

Indicadores práticos no campo

Além da análise com medidores de umidade, alguns sinais ajudam na avaliação do estágio da lavoura. A palha da espiga tende a apresentar coloração amarelada e aspecto seco. Os grãos tornam-se mais duros e vítreos. A chamada linha do leite, que representa a transição entre a parte sólida e líquida do grão durante o enchimento, desaparece ao se aproximar da maturidade fisiológica.

Esses indicadores são úteis, mas não substituem a medição objetiva da umidade. A percepção visual pode variar conforme híbrido, clima e condições de solo.

Riscos de atrasar a colheita

Um erro comum é acreditar que o milho pode “esperar no campo” sem consequências. Em regiões com clima instável, essa decisão pode comprometer a qualidade do produto.

Entre os principais riscos estão:

  • Acamamento (queda de plantas), dificultando a operação mecanizada

  • Ataque de insetos e aves

  • Aumento da incidência de fungos

  • Redução do peso específico dos grãos

Além disso, grãos muito secos tendem a quebrar com mais facilidade durante a colheita, reduzindo a qualidade comercial, ou seja, postergar a operação pode transformar uma boa produtividade em prejuízo silencioso.

O papel da regulagem e da operação

Não basta escolher o momento correto; é fundamental colher corretamente. Regulagem inadequada da colhedora, velocidade excessiva e ajustes incorretos do sistema de trilha podem aumentar perdas invisíveis no campo.

A Engenharia Agrícola atua diretamente nessa etapa, avaliando:

  • Altura de corte

  • Velocidade de deslocamento

  • Ajuste do cilindro ou rotor

  • Controle de perdas na plataforma

Pequenas regulagens podem representar sacas adicionais por hectare ao final da safra.

Planejamento logístico também é parte da decisão

O ponto ideal de colheita não depende apenas da fisiologia da planta, mas também da capacidade operacional da propriedade. É preciso considerar disponibilidade de máquinas, transporte e armazenamento.

Em propriedades maiores, o escalonamento do plantio é uma estratégia eficiente para evitar que toda a área atinja o ponto ideal ao mesmo tempo, reduzindo gargalos na colheita.

A decisão técnica precisa estar integrada ao planejamento produtivo desde o início do ciclo.

Colher é uma decisão técnica, não apenas operacional

Identificar o ponto correto da colheita do milho exige análise, planejamento e conhecimento técnico. A maturidade fisiológica indica o fim do desenvolvimento do grão, mas a definição do momento ideal envolve também umidade, clima, estrutura e eficiência operacional.

Quando essa decisão é tomada com base em dados e não apenas em percepção, o resultado aparece na rentabilidade da safra.

A Engenharia Agrícola tem papel central nesse processo, integrando tecnologia, gestão e operação de campo. A EJ Agrológica atua justamente nesse elo entre conhecimento técnico e aplicação prática, contribuindo para que produtores tomem decisões mais seguras e estratégicas.

No agro, produzir bem é essencial. Mas colher no momento certo é o que garante que todo o esforço da lavoura se converta, de fato, em resultado.

 
 
 

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